Edição
Juvenal Pereira:
Bambu, Bambusa, Bambual
Juvenal Pereira descobriu a paixão pelo Bambu em uma de suas primeiras reportagens, perto de Belo Horizonte, em uma entrevista para a revista "A Cigarra" com a educadora Helena Antipoff. Ao longo de duas décadas, fotografou e documentou o Bambu, o que resultou em inúmeras imagens que selecionamos e reunimos para esta exposição.
Alguns trabalhos são predominantemente estéticos, usando o bambu para enxergarmos o que não vemos na correria dos tempos, enquanto outros nos trazem a visão do artista do seu lado foto-jornalístico, com os contos que o bambu nos conta e como colocamos o bambu na nossa história.
O primeiro grupo, macroscópico, mostra o início do ciclo da vida, a semente, o broto e a água como essência principal. O segundo grupo apresenta o bambu maduro, interagindo em seu habitat com plantas, musgos e fungos, com suas marcas do tempo. O terceiro grupo mostra o bambu maduro, forte no solo, porém com as marcas das mãos do ser humano em seu corpo e, num segundo momento, levado pelo tempo, pela enxurrada, pelo rio que se forma. O quarto grupo finaliza com o bambu como matéria-prima para o ser humano. As mãos, simbólicas no grupo anterior, aqui se apropriaram da matéria-prima, construindo abrigos e casas, fazendo cestos para o dia-a-dia.
A "Moita de Bambu" nos sombreia em sua majestade e nos impressiona com sua densidade, misteriosa ela balança ao vento, parecendo mais do ar do que da terra. E as tramas, por sua vez, associadas à arte de tecer o bambu são usadas, abstraindo a imagem, o retrato, e assim criam paralelos com os pixeis da fotografia digital. |